
As Aflições Do Império, de Chalmers Johnson, é como uma continuação de seu aclamado livro anterior, Blowback. Na primeira obra o autor adotou a suposição de que o governo americano estava funcionando mais ou menos como fez durante a Guerra Fria, e destacou o potencial de conflito no Leste Asiático. No novo livro, o tema abordado é o militarismo americano. Nos anos após a implosão da União Soviética, os Estados Unidos foram primeiramente descritos como a “única superpotência” do globo, em seguida como um “xerife relutante”, depois como uma “nação indispensável”, e, por fim, no despertar do 11 de Setembro, como a “Nova Roma”. Em As Aflições Do Império, Johnson explora intensamente o novo militarismo que está transformando a América e compelindo seu povo a carregar o fardo do império. “Ao contrário de outros povos, os americanos, em sua grande maioria, não reconhecem - ou não querem reconhecer - que os Estados Unidos dominam o mundo graças ao seu poderio militar. Devido à política de segredo do governo, eles costumam ignorar que o seu país tem soldados por toda parte e não percebem que a existência de uma vasta rede de bases militares espalhadas pelos diversos continentes, à exceção da Antártica, constitui, na verdade, uma nova forma de imperialismo”, diz o autor. Ao evocar as clássicas advertências contra o militarismo - do Discurso de Despedida de George Washington à denúncia de Dwight Eisenhower acerca do complexo militar-industrial -, Johnson desvela suas raízes no passado remoto. De volta ao presente, ele mapeia a expansão imperial das bases militares e a vasta rede de serviços que lhes servem de apoio. Oferece um olhar arguto à nova casta de militaristas profissionais infiltrados em vários setores do governo, que classificam de “secretas” quaisquer de suas atividades, e para quem a manipulação do orçamento militar é de vital importância.